sábado, 15 de agosto de 2020

 Poema Folclórico: O Curupira


4º Encontro | gepromai



O Curupira

                                Elias José



Seu Curupira, dono da mata,
como é, como é você?

Quem já viu o Curupira
cai sempre em contradição:
uns falam que ele é gigante,
outros, que é um curumim
e outros, que é um anão.
Uns falam que ele se mostra,
outros dizem que se escondem
bem dentro do breu da noite.

Mas ninguém duvida, jamais,
que o Curupira protege
as matas e as florestas
e é o senhor dos animais.

E o Curupira, se vê um caçador,
vira mágico e vira a mata.
Dá sinais, engana e pia,
assobia e espanta as aves
e espanta os outros animais.
E assim ele desvia a morte
e desvia dos caminhos o caçador.

Se o caçador não se retira,
vira fera o Curupira,
Os pelos soltam-se do corpo,
monta num porco-espinho
e, com ira, o Curupira se atira
pra cima do caçador.
Na mata, o caçador já não mata:
chegou seu dia de caça,
vira caça do Curupira.

E o Curupira, se vê um lenhador,
brinca de esconde-esconde.
Só pra defender a floresta,
nos troncos ele se esconde.
O corpo se encolhe pra dentro,
a queixada e as imensas orelhas
se balançam com febre pra fora.
Nervosos, os galhos de agitam
e os 
pelos  do Curupira se arrepiam

e soltam mil choques e luzes.

O lenhador quase pira:
pega o machado, dá no pira,
sem ver que era o Curupira.

E o Curupira só ternura inspira
aos habitantes da mata.
Mas quem mata ou destrói a mata
vai ter que enfrentar a ira
do valente Curupira.

Seu Curupira, dono da mata,
como é, como é você?

Professora Nanci


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